Oração e Contribuição: dois pilares da igreja

“E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.” Atos 13:2

Os navegadores antigos tinham um ditado que se eternizou na pessoa do poeta Fernando Pessoa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. 

De fato, viajar é uma das nossas maiores realizações. Sempre surgem novas oportunidades de conhecimento, novas amizades e desafios a serem superados. 

Lucas, o autor de Atos dos Apóstolos descreve o apóstolo Paulo como um navegador antigo, que necessitava viajar “mundo afora”, a fim de proclamar o nome de Jesus Cristo para todos os povos. 

A partir desse momento vamos mergulhar na primeira viagem missionária de Paulo. O capítulo 13 é muito rico, por isso pretendo fazer algumas reflexões baseadas nele. Venha conosco!

Nesta primeira reflexão, vamos pensar no contexto do envio de Barnabé e Saulo para a Antioquia (12:25 – 13:4a)

Barnabé e Paulo tinham acabado de chegar de Jerusalém. “Quando Barnabé e Saulo terminaram sua missão em Jerusalém, voltaram levando consigo João Marcos.”  At 12:25.

A fome estava castigando Jerusalém e os arredores. Então foram entregar a oferta que a igreja de Antioquia havia enviado aos cristãos daquela cidade. 

Os cristãos sofriam bastante com perseguições. Se fossem deixados à própria sorte, não resistiriam. Na verdade, essa mutualidade, ou seja, a ajuda recíproca entre eles, somada à contribuição .coletiva para benefício de cada um dos membros, revelou um aspecto do caráter da igreja: o amor fraternal.  

Uma característica marcante desse amor, era o assistencialismo entre os cristãos. Viúvas, órfãos e necessitados sempre foram assistidos pelos diáconos da igreja. Aliás, eles existem essencialmente para servir. 

Quem permanecia no “caminho” (o evangelho também era chamado de caminho naquela época) não era esquecido e abandonado. Pelo contrário, existia uma preocupação em diminuir o sofrimento. A generosidade é inerente ao cristianismo.

Lucas nos conta também como era a vida diária da igreja. Eles adoravam ao Senhor, jejuavam e oravam. Será que suas motivações costumavam ser tão egoístas? Muitas vezes somos incentivados a orar e a jejuar para que Deus resolva os nossos problemas. Nossas motivações costumam ser egoístas. 

Contudo, a igreja primitiva orava incessantemente para que o Evangelho fosse proclamado até nos confins da terra. A motivação primordial deles era o reino de Deus e a sua justiça, e Ele atendia às suas necessidades. Em Atos 13.2 e 3 percebemos que a oração e o jejum da igreja toda tinha intencionalidade. Não era um simples costume religioso. Provavelmente eles queriam conhecer a vontade de Deus e insistiram até que lhes foi revelado pelo Espírito Santo que disse: “Separem Barnabé e Saulo para realizarem o trabalho para o qual os chamei”. At 13:2

Embora já tivessem ouvido a voz do Espírito, a igreja continuou em oração e jejum. “Então, depois de mais jejuns e orações, impuseram as mãos sobre eles e os enviaram em sua missão.” Atos 13:3.  Porque continuar insistindo em oração, se já tinham ouvido a voz do Espírito Santo? Existem algumas possibilidades… 

Talvez apenas os pastores e mestres (Barnabé, Simeão, Lúcio, Manaém e Saulo) tinham ouvido o Espírito Santo. E os demais membros também queriam a confirmação desse chamado. 

Ou possivelmente eles quisessem ter mais detalhes da missão. Afinal, o Espírito Santo não deu pormenores, não disse para onde, nem quando, nem como ir. Segundo Jhon Stot, o chamado deles foi muito parecido com o de Abrão: “Vai para a terra que te mostrarei” . Gen 12.1

Interessante compreender que o Espírito Santo revelou a Sua vontade à igreja e aos que estavam diretamente envolvidos, através das orações e jejuns. O que isso significa? significa que a igreja e o Espírito Santo estavam em sinergia. Os cristãos nem espiritualizaram tudo, nem ignoraram o espiritual. Agiram com equilíbrio.   

O que aprendemos com tudo que vimos até aqui?

A lei mosaica, ordenada por Deus, incentivava a caridade e o cuidado com os necessitados da nação israelita e os estrangeiros. Mas, o cristianismo foi a mola precursora para a beneficência e a caridade como conhecemos no mundo atual. Resultado, diversas instituições e ongs foram criadas para ajudar pessoas com as mais variadas necessidades. 

Em 2015, por exemplo, os dados do “Anuário Estatístico da Igreja Católica” apontavam que eles administravam 115.352 institutos sanitários, de assistência e beneficência em todo o mundo. Se somarmos as instituições evangélicas teremos um número maior de instituições assistencialistas ligadas ao cristianismo. Talvez nós temos sido falhos nesse tipo de contribuição. Devolvemos o dízimo e já nos damos por satisfeitos. Porém, o espírito cristão não deveria se limitar ao período do natal, onde as pessoas sentem-se impelidas a ajudar o próximo.

Podemos e devemos ajudar igrejas cristãs em cidades atingidas por catástrofes climáticas, desastres e lugares de extrema pobreza. A mutualidade precisa continuar sendo uma característica das igrejas locais. Na hora de comprar, vender, negociar, ajudar de qualquer forma, devemos dar preferência para nossos irmãos em Cristo. 

Precisamos clamar por um avivamento no nosso país. Nosso Brasil precisa de arrependimento. É nosso dever como cristãos promover o Evangelho de Cristo. Como está escrito: “carregando ele mesmo, em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça” (1Pe 2.24). Ele viveu e morreu em nosso lugar. Nele temos poder de Deus para vencer nossos pecados, inclusive o egoísmo, e assim levar o amor, a bondade, a generosidade, a justiça e a esperança para todos. Isso não virá através de políticos. Acontecerá pelo clamor do povo de Deus nesse país. 

Busquemos primeiro a justiça de Deus, e Cristo o justo juiz será seu modelo perfeito de justiça. Busque a Cristo enquanto se pode achá-lo, se você ainda não fez isso, comece agora! Fale com Deus, diga a ele que você se arrepende dos seus pecados e recebe Cristo como seu único e suficiente Salvador! Você não se tornará perfeito, mas será salvo da condenação dos seus pecados e usado pelo Espírito Santo a fim de levar salvação, paz e amor de Deus para essa nação. 

Termino com as palavras do nosso poeta João Alexandre: 

 

“Brasil olha pra cima

Existe uma chance de ser novamente feliz

Brasil há uma esperança!

Volta teus olhos pra Deus, justo juiz!”

 

Pense nisso!!!

Até a próxima!!!   

Deus o abençoe!!!                                                                        

Elias Silvio



Notas

  1. J. Williams, David. Atos, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. São Paulo: Editora Vida, 1985.
  2. H. Gundry Robert. Panorama do Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1978.
  3. Craig S. Keener. Comentário Bíblico Atos, Novo Testamento. São Paulo: Editora Atos, 2004.
  4. Stott, John R. W. A mensagem de Atos. Até os confins da terra. São Paulo: ABU Editora S /C, 1990.
  5. Kistemaker, Simon J. Comentário do Novo Testamento – Exposição de Atos dos Apóstolos. Editora Cultura Cristã, 2003.

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