A história de Abraão é uma história humilde, pois foi marcada pela fé justificadora em Deus (que veio diretamente de Deus — Ef 2.8), quando Abraão foi chamado eficazmente da idolatria para a fé nEle (Gn 15.6; Rm 4.1–3). Viver pela fé é viver de modo diferente do mundo; por isso, só consegue viver assim quem a recebeu de Deus. Ela não é transmitida pelo sangue, DNA ou parentesco, mas procede somente de Deus.
Por isso, Jesus alertou os fariseus: “não pensem que podem dizer uns aos outros: ‘Temos por pai Abraão’, porque eu afirmo a vocês que Deus pode fazer com que destas pedras surjam filhos a Abraão” (Mt 3.9). Essa verdade deveria impedir a presunção daqueles que acreditam merecer ser filhos de Deus por conta de algum parentesco com Abraão. Hoje, muitos pensam de forma semelhante, acreditando que, por serem filhos de pastor, ou por terem pai ou mãe crente, já nasceram crentes, isto é, com a fé justificadora. Estão enganados os que pensam assim. Essa é a razão pela qual a filiação divina e a salvação “provêm da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja garantida para toda a descendência, não somente à que está no regime da lei, mas também à que tem a fé que Abraão teve — porque Abraão é pai de todos nós” (Rm 4.16).
Quem tem essa fé justificadora produz obras de justiça, e a principal delas é crer e obedecer ao Evangelho. Por isso, quando os fariseus disseram a Jesus: “Nosso pai é Abraão”, Ele respondeu: “Se vocês fossem filhos de Abraão, fariam as obras que ele fez” (Jo 8.39). Em resumo, quem nasce de novo pela fé somente em Jesus tem a mesma fé que Abraão recebeu, sendo, portanto, filho de Deus, assim como Abraão, pela fé em Jesus somente.
Abraão “não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que Ele era poderoso para cumprir o que havia prometido. Assim, isso [afé justificadora] lhe foi atribuído para justiça. E as palavras ‘lhe foi atribuído’ foram escritas não somente por causa dele, mas também por nossa causa, visto que a nós igualmente será atribuído, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou para a nossa justificação” (Rm 4.20–25). Assim devem ser todos os crentes em Cristo Jesus: crer e praticar o Evangelho.

Pastor da Igreja Batista Reformada de Ceilândia/DF. Fundador e Editor do Ministério Justificação pela Fé. É formado em Teologia Livre pelo Seminário Martin Bucer/SP, pós-graduado em Pregação Expositiva pela FTRB/DF, e mestrando em Teologia Sistemática pelo Puritan Reformed Theological Seminary (PRTS.EDU). É Casado com Pâmela Corrêa, com quem tem uma filha, Ana Corrêa.