Cegueira Espiritual

“Quando o governador viu o que havia acontecido, creu, muito admirado com o ensino a respeito do Senhor. ” Atos 13:12

Paulo e Barnabé, levando consigo também João Marcos (sobrinho de Barnabé), enviados pelo Espírito Santo, dirigiram-se para Chipre, terra natal de Barnabé. 

Ali eles anunciavam as boas novas até que se depararam com um opositor do Evangelho, a quem Lucas chama de falso profeta.  Seu nome em hebraico era BarJesus, que significa “filho da salvação”. Porém, por estar em terras gentílicas era mais conhecido por Elimas, que significa sábio, hábil ou encantador. Na verdade, os mágicos do antigo império persa, eram conhecidos como sábios, como está descrito no livro de Daniel.

Os governantes e cidadãos importantes daquela região gostavam de ter por perto seu próprio mágico. Em Pafos, capital da província,  morava o chefe político daquela região, também conhecido como procônsul. Seu nome era  Sérgio Paulo, a quem Lucas chama de “homem prudente”.

O procônsul interessou-se pelo Evangelho e queria muito ouvir Barnabé e Paulo. Porém, Elimas se opunha a isso, e tentava impedi-los de falar com o procônsul. Afinal de contas, ele poderia ficar desempregado caso houvesse uma conversão.

Aqui entra em cena o poder do Espírito Santo. Paulo olhou para Elimas e disse: “Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor? em seguida ele proferiu a sentença divina: Eis aí, pois, agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo.” At 13:10-11

No mesmo instante o falso profeta ficou cego. O procônsul admirado, creu no poder de Deus. Perceba que o apóstolo o chama de “filho do diabo”, embora o significado do seu nome fosse “filho da salvação”. Elimas não estava fazendo jus ao seu nome.

Vamos pensar um pouquinho. Será que podemos fazer um paralelo com os dias atuais?

É possível perceber falsos profetas rodeando políticos ou homens poderosos nos dias de hoje? Infelizmente sim. Pessoas que se alimentam de poder. Fazem da bajulação sua profissão. Enganadores, que tentam impedir que pessoas bem intencionadas ouçam a verdade do Evangelho. Em Chipre percebe-se o apóstolo Paulo pregando a cruz de Cristo para o procônsul, mas Ele não misturou o Evangelho com a política.  

Outra coisa, parece que uma boa parte de líderes cristãos que alcançam o poder escolhem o falso evangelho. Fazem da teologia da prosperidade e outras heresias a base de seus ensinos. Se sabem a verdade, parece que tem medo de falarem a verdade e perderem seu prestígio junto aos governantes e ao povo que os elegeram. 

Infelizmente, vivemos num país dividido e lamentavelmente muitos cristãos, ao invés de buscarem a paz, estão cada dia mais semeando ódio e destruição através da disseminação de fake news e do incentivo à idolatria política e ideológica. Será que esqueceram do Salmo 34? “Quem de vocês quer amar a vida e deseja ver dias felizes? Guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança.” Sl 34.12-14

Os cristãos não podem andar em dois caminhos. Precisam escolher a sabedoria divina e não a terrena que “não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa.” Tg 3:15,16

Mesmo em meio a uma das piores tragédias que o mundo já enfrentou, nosso Brasil tem se alimentado de guerra política o tempo todo, porém isso jamais satisfaz a alma. Como já dizia o rei Salomão: “A sanguessuga tem duas filhas: Dá! Dá”. Pv 30:15.

Diante disso tudo, talvez surjam as seguintes perguntas:

1ª)  Eu não tenho o direito de escolher um partido, uma ideologia, um político? 

Nós temos todo o direito de ter suas nossas preferências e convicções, sejam elas quais forem. Porém, como cristãos não podemos fazer disso a nossa vida; não podemos respirar e nos alimentarmos de política o tempo todo. Não permitamos que a política se torne um ídolo para eu e para você. Nossa mente deve estar cativa a Cristo!  

2ª) Então, eu preciso me abster da política?

De forma alguma. Nós cristãos somos o sal da terra. Precisamos estar atentos a tudo o que nos acontece. Quem for vocacionado para a política, deve atuar ativamente para que a ética cristã seja conhecida. João Calvino ensinou isso também. O que precisamos é de equilíbrio!

Cristo afirmou: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir.” Mt 12:25

Enquanto estivermos divididos, apoiando um político e destruindo o outro; e separados por ideologias humanas que são em sua essência o produto da ganância e ambição de seus criadores, não chegaremos a lugar nenhum. Pelo contrário, segundo as Escrituras seremos destruídos. 

Para os que têm fome e sede de justiça, Tiago apresenta a sabedoria de Deus. Observe: “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.” Tg 3:17

“O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores.” Tg 3:18

Veja o que disse o apóstolo Paulo: “A vossa palavra seja sempre com graça, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4.6). Nós, os que pertencemos a Cristo temos a obrigação de semear a paz, a união, o amor e o perdão. Temos que pacificar, levar esperança e a necessidade de arrependimento de pecados através do Evangelho de Jesus Cristo.

É possível conciliar conservadorismo com assistência social, assim como é possível ajudar os mais pobres sem odiar os ricos e idolatrar o Estado. O cristão é aquele que “examina tudo e abraça o que é bom” 1 Ts 5.21

O único que pode saciar a nossa sede é Jesus Cristo. Ele é a água e o pão da Vida. Ele nos convida a conhecê-lo. Jesus promete ajudar um povo cansado da mentira, do desemprego, do descaso, da corrupção, de todo o pecado. Povo sobrecarregado de taxas e impostos, que não suporta mais carregar esse fardo pesado. Oprimido há séculos pela ganância de homens inescrupulosos que tiram o leite da boca de suas crianças; e o descaso com a educação dos filhos e a saúde dos pobres e necessitados.  É um jugo muito desigual.

O fardo de Jesus é suave e o seu jugo é leve. Ele é o sol da justiça. Nele não existem trevas, porque Ele é a luz do mundo para salvação de todo aquele que nele crê como Deus! Nossa única esperança é Jesus Cristo. Só Ele pode redimir nossa vida e a nossa nação. Ele não nos trata como gado, mas como ovelhas sensíveis e frágeis. Ele é o bom pastor que deu a sua vida pelo seu rebanho. A principal causa pela qual devemos ser consumidos é o Evangelho, a boa nova que nos diz que Jesus voltará para nos levar para o seu Reino onde não haverá mais injustiças nem pecado! Até lá precisamos de Cristo para nos salvar da escuridão dos nossos pecados e nos manter com a esperança inabalável da volta de Cristo!

O Eterno Deus já fez o seu anúncio oficial a nossa Nação com as seguintes palavras: 

“Lavem-se! Limpem-se! Removam suas más obras para longe da minha vista! Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva.

“Venham, vamos refletir juntos”, diz o Senhor. “Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão. Se vocês estiverem dispostos a obedecer, comerão os melhores frutos desta terra.” Is 1:16-19

 

Pense nisso!!!

Até a próxima!!!   

Deus o abençoe!!!                                                                        

Elias Silvio

 

Notas

  1. J. Williams, David. Atos, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. São Paulo: Editora Vida, 1985.
  2. H. Gundry Robert. Panorama do Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1978.
  3. Craig S. Keener. Comentário Bíblico Atos, Novo Testamento. São Paulo: Editora Atos, 2004.
  4. Stott, John R. W. A mensagem de Atos. Até os confins da terra. São Paulo: ABU Editora S /C, 1990.
  5. Kistemaker, Simon J. Comentário do Novo Testamento – Exposição de Atos dos Apóstolos. Editora Cultura Cristã, 2003.

 

 

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